Paralegal — tarefas, uma a uma
A unidade de análise é a tarefa, não o nome do cargo. Cada uma das seguintes traz a sua direção, se o juízo assenta em prova ou numa inferência da plataforma, o raciocínio e o que não estabelece.
Todas as tarefas desta página#
Primeira revisão documental
A automatizar-se✓ Com provaLer milhares de emails, contratos ou documentos entregues para assinalar quais interessam ao caso ou ao negócio.
Classificar por relevância grandes conjuntos de documentos é exatamente a forma de problema que os modelos de linguagem tratam bem, e o setor jurídico já tinha adotado a codificação preditiva para e-discovery antes desta geração de modelos. O passo humano que resta é verificar por amostragem o que o modelo deixou passar, não ler tudo.
As decisões sobre segredo profissional e tudo o que vá ser jurado continuam a passar por uma pessoa, porque a responsabilidade profissional não se transfere para um fornecedor.
Redigir a partir de minutas
Aumentada pela máquina✓ Com provaProduzir a primeira versão de um contrato, de uma peça ou de uma carta adaptando as minutas da sociedade aos factos.
Gerar uma primeira versão competente a partir de um banco de minutas e de um quadro de factos é hoje rápido, mas o valor nunca esteve em escrever. Está em saber que minuta, que cláusulas a outra parte vai disputar e o que este cliente já aceitou antes — contexto que a ferramenta só tem se alguém o tiver mantido.
O contexto que torna a ferramenta útil — que minuta, o que este cliente já aceitou — é conhecimento da casa que alguém tem de continuar a manter. As sociedades que automatizam a redação sem financiar essa manutenção ficam com versões piores mais depressa.
Conduzir o processo
Aumentada pela máquina≈ Inferência da plataformaPrazos, regras processuais, entregas, citações, quem assinou o quê, o que continua por fazer.
O software de gestão trata do calendário, mas o calendário não é o trabalho. Saber que uma conservatória rejeita peças por uma mania de formatação, ou que a outra parte pede sempre prorrogação à sexta-feira, é o conhecimento operacional que faz os processos andar, e mora nas pessoas.
O conhecimento operacional mora nas pessoas até alguém o escrever — e a pressão para o escrever é exatamente o que a automatização cria. Esta tarefa está protegida por um estado não documentado que não vai ficar por documentar.
Contacto com clientes e testemunhas
Continua a ser levada por uma pessoa≈ Inferência da plataformaConseguir tirar os documentos a um cliente relutante, preparar uma testemunha nervosa, explicar o que vem a seguir.
A barreira é a confiança e a confidencialidade, não a língua. As pessoas contam factos incómodos a alguém que já viram, e uma sociedade não pode delegar o dever de confidencialidade numa interface que não controla.
Os deveres de confidencialidade limitam que interface pode ser usada, não se é precisa uma pessoa. As sociedades já estão a comprar ferramentas que cumprem esses deveres, e quando o fazem, o argumento muda de sítio.
Verificar o que as ferramentas produziram
Tarefa nova✓ Com provaConfirmar que o acórdão citado existe, que o resumo corresponde à fonte, que uma cláusula gerada não contradiz outra.
As citações inventadas em peças processuais já deram origem a sanções em várias jurisdições, e as sociedades responderam exigindo que uma pessoa assine o trabalho assistido por máquina. Essa assinatura é uma tarefa nova, e cai sobre quem já verifica tudo o resto.
Se esta tarefa é paga como trabalho qualificado ou absorvida como diligência não paga depende da casa, e é isso que decide se é uma oportunidade ou só mais carga.